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Yes, we can (sim, nós podemos) — Barack Obama

Arrecadação recorde oriunda de pessoas comuns por meio das redes sociais


“Decorrido apenas um mês da eleição, um artigo no jornal The New York Times, em 5 de dezembro de 2008, alertava que os republicanos teriam dificuldade, daí a quatro anos, em encontrar um candidato competitivo para enfrentar Obama. O motivo? Não era o carisma do novo presidente, nem o apoio inédito que recebia antes da posse, que permitiam inserir no seu horizonte a plausibilidade da reeleição. Nada disso. O argumento do jornal era a dificuldade de qualquer futuro oponente ombrear o orçamento de 750 milhões de dólares, o maior da história, que, como mero desafiante, ele havia arrecadado na campanha. E como ele conseguiu isso? A resposta é sabida de todos. Foi através de uma surpreendente estratégia de arrecadação, bem concebida, inspirada no esforço pioneiro de Howard Dean, candidato democrata nas primárias de 2004, e exemplarmente posta em prática dessa vez, que lhe permitiu construir uma ampla base com mais de 3 milhões de doadores, 80% acessíveis ao clique do mouse. Enquanto ele fazia isso, sua rival nas primárias gastava dezenas de milhões de dólares na busca tradicional de doadores através de mala direta. Obama seria o primeiro candidato, desde 1960, a renunciar ao financiamento público e depender apenas dos eleitores”.[i]

Campanha digital - A campanha de Barack Obama, que ocorreu em 2008, será sempre lembrada como um marco na política. O candidato explorou o ambiente online como ninguém, conseguindo envolver americanos que nunca tinham votado. E esse trabalho estratégico, como descrito acima, teve motes na busca de recursos financeiros e na retórica de comunicação bem elaborada para o meio digital. Sem, contudo, abandonar os canais tradicionais de campanha política como a TV, por exemplo.


Não é à toa que a sua vitória marcou a maior participação eleitoral da história dos Estados Unidos (por lá, o voto não é obrigatório).


Tudo isso só foi possível graças a inúmeras estratégias, sendo que as principais delas ocorreram nas mídias sociais. Uma das ações de sua equipe de marketing foi produzir conteúdos virais cerca de um ano antes da eleição.


Campanhas no Brasil – Logo após o êxito da campanha dos democratas americanos, em 2008 o jornal O Estado de S. Paulo noticiava que as estratégias de campanha usadas pelo presidente americano Barack Obama na eleição presidencial de 2008 deflagraram um processo de "obamização" nos preparativos para a corrida presidencial brasileira em 2010. Segundo o texto do periódico os “marqueteiros e políticos querem importar o know how desenvolvido por estrategistas que trabalharam com o americano e que ajudaram a criar um novo paradigma eleitoral com a mobilização por meio de redes sociais e a arrecadação recorde via internet. O resultado é a procura por nomes que trabalharam na campanha de Barack Obama para prestar "consultoria" aos brasileiros”. Na época, estimou-se que esses contatos, geralmente conversas e sugestões feitas por intermédio de marqueteiros, custaram cerca de US$ 30 mil por consultoria prestada. O americano Ben Self, sócio da Blue State Digital, que implementou a plataforma online de arrecadação e mobilização da campanha de Obama, foi considerado o pai dessa prática.


Mais adiante as mídias digitais também foram protagonistas de vitória em uma eleição norte-americana (2016 com a vitória de Donald Trump), só que o viés foi tido como negativo, pois houve a influência da empresa Cambridge Analytics, mas essa é uma história para outro post.



[i] Lavareda, Antonio – Emoções Ocultas e estratégias eleitorais, Ed. Objetiva – 2009 – pág. 127.

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